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"DESISTÊNCIA"  escrito em quinta 27 setembro 2007 20:55

"DESISTÊNCIA"

O tempo é
vertigem adormecida
no regaço
do meu desespero,

quando não estás
na realidade do tempo
que em vão te espera.

Tento encontrar a ternura
no meio do caos
sem cais nem porto de abrigo,

como um castigo
as mãos se retraem
no vácuo sem eco
da tua ausência.

e no entanto,
ainda ontem
a sombra das tuas palavras
eram a voz que se perdia
nos corredores esquinados
do meu contentamento.

Entretanto,
do espanto sem lágrimas
nasceu o pranto
duma desistência anunciada.

luizacaetano
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"PORQUÊ, POETA"  escrito em quarta 26 setembro 2007 22:50

"PORQUÊ, POETA?"

Porque é que as palavras
bailam e dançam,
fugindo da prosa,
se articulando em conteúdos?
em intenções?
em traços?
em asas?
formando uma teia
de encantamento...ás vezes,

Outras
nos lançando
como que uma bofetada!
ou um vazio imenso,
ou uma tristeza,
ou uma solidão ?

Porquê, Poeta
cantando
a paixão!
o sufoco!
a Festa!
a alegria!


Ou a Magia ?
da Diferença?

Porquê, Poeta
sofredor da palavra
bordada na dor
intemporal
do Amor?

Porquê?
Porquê?

luiza caetano
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"O R G I A S"  escrito em quarta 26 setembro 2007 22:48

 

" O R G I A S "


Entrar dentro de ti
como no mar,

Mergulhar-te
como se fosse a primeira vez,

viajar ao paraíso das algas!
dançar nas ondas !
ferir-me nas rochas!
no odor dos sargaços!


Depois...
da noite do dia,
da orgia dos cansaços

me estenderei no fundo
do fundo mais profundo
de ti e de mim
e
beliscarei a vida.

Luiza Caetano
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"LIBERDADE"  escrito em quarta 26 setembro 2007 22:46

"LIBERDADE"

Gritar é proíbido?

Façamos então um esgar
um silencioso movimento
na tortura desse momento...

Deixa o nó se desatar,
como o vôo da borboleta

- também podemos voar...

Não me amordaçes o grito
de nervos libertos e gozo
- o céu é o infinito !

Espera-nos o areal,
uma cama de vento e de sal,
um vendaval de emoção,

- Um cristal em cada mão!

luizacaetano
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"UMA GOTA DE ORVALHO"  escrito em quarta 26 setembro 2007 22:45

UMA GOTA DE ORVALHO"


Se
eu roubar âs rosas
as suas pétalas
e te vestir de vermelho ritual
num gesto possuído de desejo,

pétala a pétala
pressentida de carmim...

Se eu roubar às rosas
o teu cheiro
numa constelação
de brisa e de ardor
demoradamente
desmembrar a flôr...

Se eu possuir o coração da rosa,
rumor de água a fluir
no interior da madrugada...

Serei como um pássaro a emergir
ou
uma gota de orvalho
no céu do teu corpo

luizacaetano
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